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» Espalha Fatos por Juliano Parolo
UMA NOVA ERA - 27/07/2009

Será que a vida política nacional ingressará numa nova era, depois de tantos acontecimentos nefastos ocorrendo em todos os cantos do país, principalmente na capital federal?
Será que esse partido roscofe do presidente, que quer se eternizar no poder, ainda terá chances nas próximas eleições?
Será que os escândalos do “mensalão” e das irregularidades detectadas no Senado ficarão impunes como sempre?
Pelo andar tranqüilo da carruagem, percebe-se que mais uma vez o barulho dos episódios do Senado será só estrondoso, chocante num primeiro momento, deixando aos poucos de ecoar na mente das pessoas, até sumir e ninguém mais ouvir.
A verdade é que não se muda de uma hora para outra o comportamento deplorável dos maus políticos. Dificilmente eles abandonarão o hábito arraigado da malandragem, do bem bom de levar vantagem, do fazer trampolinagens, cambalachos e outras tramóias.
Nota-se isso nos pronunciamentos públicos, onde políticos despreparados não medem as palavras, nem as conseqüências. No afã de conquistar espaços, eles deixam de lado a linguagem correta, ética, dignificante do cargo que ocupam.
Basta lembrar do atual presidente da República que, lamentavelmente, sempre que abre a boca, pensa estar ainda num palanque pregando como o sindicalista de outrora. Sua fala repetitória é rica de impróprias e abomináveis asneiras.
Confira-se o que disse depois da queda em alto mar do Airbus da Air France (31.05.09). Enquanto a amargura era grande entre parentes e amigos, a tristeza tomava conta de todos e as buscas eram empreendidas, lá veio o chefe de governo, sem ter nenhuma noção do ridículo com mais um papo furado e inadequado: “um país que acha petróleo a seis mil metros pode achar avião a dois mil metros...”.
Naturalmente que o apedeuto não entendeu ainda que um presidente da República não possa sair por aí atirando para todos os lados sem nenhum escrúpulo. Também desconhece o dito popular: boca fechada não entra mosquito!
Antes, quando apenas candidato podia dizer o que queria, mas não dizia por que precisava parecer bonzinho para a massa ignara. Estilo este, aliás, que prossegue na presidência da República ao ofertar o “esmola-família”, a mais vergonhosa compra de votos da história, como muitos já andam dizendo. Agora, perto das eleições de 2010, com idêntico objetivo, vai dar mais uma oferenda, desta feita o “esmola-cultura”, um cartão magnético de cinquentinha para os cadastrados como coitadinhos, poderem participar de eventos culturais...
O chefe de governo tem língua ferina o que é incompatível com o alto cargo, que exige calma, serenidade, confiança, moderação, apazigo. Incendiário desde os tempos do sindicato, é useiro e vezeiro em atirar para todos os lados. Vai direto ao assunto como quando se referiu à existência de “300 picaretas” na câmara federal.
Acontece que não consegue fazer a diferença no falar como candidato do falar como presidente, sempre se expressando num linguajar grosseiro e, na maioria das vezes, até hilário, o que para seus críticos é preferível para não chorar...
Segundo os entendidos, é difícil colecionar mais neurônios se na infância não se come proteínas. Embora hoje revistas científicas informem que também o cérebro humano adulto é capaz de gerar novas células nervosas, ao contrário do que se acreditava, é claro que o ex-sindicalista, que nunca se preocupou com sua saúde, muito menos com a educação, possa mudar a cabeça de uma hora para a outra, mormente se tem gosto pelas espirituosas, como salientou o repórter do New York Times, sem contar que o álcool embota o raciocínio, a idade não ajuda e as prioridades no cargo são bem outras.
Há anos chamou o atual presidente do Senado de “ladrão” (sic), quando este estava em outra legislatura. Se o chefe for perguntado, dirá que não se lembra. Hoje essa acusação seria completamente imprópria, eis que ele faz grande esforço para ser o mais ferrenho defensor, além de aliado e até fiador do senador.
O chefe da nação primeiro fala, depois pensa. Está ele se lixando com o uso ou não de expressões grosseiras ou fantasiosas. Apreciador persistente da doutrina de Maquiavel, mesmo sem a conhecer por que nunca estudou, acostumou-se a arquitetar friamente atos e declarações distorcidos.
Quando perguntado sobre o “mensalão”, o presidente da República disse, naquela oportunidade, que não sabia de nada, o mesmo se repetindo com a recente demissão da secretária da receita federal.
Em muitas outras situações, o presidente mais se parece com um papagaio ao repetir assuntos de ouvir dizer, fazendo questão de se exibir na mídia, mas também não fica triste se sua figura for vista como papagaio de pirata. Há semanas, para alimentar o vedetismo, entregou ao presidente afro-americano dos EUA uma camisa da seleção canarinha rubricada por atletas de disputa antiga, como se fosse camisa de jogador participante e campeão da última Copa das Confederações realizada na África do Sul, em junho de 2009.
Nos recentes episódios envolvendo irregularidades supostamente praticadas no Senado, Sua Excelência cometeu grave afronta à Constituição Federal, quando se referiu ao presidente do Senado, dizendo que se tratava de pessoa não comum, mesmo ciente de orelhada de que todos brasileiros são iguais perante a lei, pelo princípio da isonomia.
Disse mais que o presidente do Senado tem uma biografia a ser respeitada. Realmente, trata-se de velho político que começou na antiga UDN e teve uma vida pública inigualável, chegando a ser até chefe-tampão do Executivo em face da morte de Tancredo Neves. Acontece, porém, que o velho senador envolvido, em tantas irregularidades no Senado e fora dele, como mostram inúmeros pedidos de investigação pela CPI e pela própria Polícia Federal, começa a passar para a história como tendo uma vida pregressa estampada numa simples folha corrida, diferente de uma biografia, que gostaria fosse preservada e lida nas escolas, ao invés de ser escorraçado da mais alta casa de leis por quebra de decoro, como pode acontecer... Será?
Fosse o presidente da República mais disciplinado na função e não teria ofendido a classe profissional dos pizzaiolos, ao declarar que a CPI do Senado não daria em nada por que os senadores oposicionistas “...todos eles são bons pizzaiolos.” (sic).
Para desvanecer suscetibilidades, bastaria a simples substituição de pizzaiolos por fazedores de pizza.
Talvez o hoje presidente não goste desta palavra, para não se lembrar do drama vivido quando Collor se elegeu usando uma expressão amarga contra ele que o derrubou fragorosamente: “fazedor de anjo”.
Por incrível que possa parecer, há poucos dias, Lula e Collor exorcizaram seus pecados num amplexo basculante formidável, lá na capital das Alagoas. O presidente da República, como de hábito, saiu com mais uma pérola, ao enfatizar que queria “fazer justiça” ao comportamento dos senadores Collor e Renan pela sustentação que eles têm dado aos trabalhos do governo no Senado, numa demonstração clara da grande interferência indevida de um poder em outro. O chefe do Executivo quer ditar regras sozinho, muitas vezes se esquece que na República existem outros poderes, não tolera ser contrariado, apesar de ter comportamento diametralmente oposto quando só fazia carga e se portava como espírito de porco, é do tipo faça o que eu digo, não faça o que eu faço...
É pena que a opinião pública esteja cansada e anestesiada com tanta bandalheira sendo praticada, todo santo dia, principalmente no Planalto.
Enquanto houver “picaretas”, CPIs inúteis, compradores de votos, vendedores e trocadores de favores e outros fantasmas que assombram de mentirinha, como nos filmes, com o mesmo tipo de idiossincrasia conhecida, será impossível o descortino de novos horizontes, de uma nova era na política nacional.
Quanto ao partido roscofe, se seu guru continuar distribuindo esmolas à vasta casta dos despossuídos que com elas se contentam e até deixam de trabalhar e enquanto essa oposição amorfa estiver no limbo, não for nem pra frente nem pra trás, as possibilidades de o vento continuar soprando favoravelmente são boas.
No que tange às punições, se vierem, serão gota a gota ou como salientou, na cara dura, o velho senador do Rio de Janeiro posto na presidência da Comissão de Ética do Senado, que confia na falta de memória da população: “Vai esquecer todas as denúncias!”.
O cara não está longe da verdade, infelizmente.

 
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