Há muita gente falando que o senado precisa de faxina, diante de tantas irregularidades e falcatruas praticadas.
Alguns adeptos daquele partido roscofe chamado PT querem acabar com ele, o que é um despautério.
A extinção da alta câmara do congresso, hoje verdadeira casa da mãe Joana, talvez não faça muita falta, mas a sociedade torce para que o senado siga o rumo que lhe cabe, deixando de mostrar seu lado negro costumeiro de troca de favores e de incrível cabide de empregos.
Será que 81 senadores precisam de mais de dois mil e quinhentos servidores de carreira e quase quatro mil funcionários terceirizados, sem contar, naturalmente, os “gasparzinhos”?
Instituição surgida com a primeira constituição do império (1824), buscou inspiração na câmara dos lordes inglesa para depois, com o advento da República, adotar modelo semelhante ao norte-americano.
O senado nunca vibrou de atividades, nem poderia ser diferente num país do faz de conta...
Confira-se a postura do seu atual presidente, tido como um dos mais ausentes. Fui guindado novamente, pela terceira vez, ao comando do Congresso só para atender ao apelo de colegas e não por que o desejava, ponderou quando cobrado a dar explicações sobre a recente crise.
Jornais já se adiantaram em informar que isso é conversa pra boi dormir, pois ele foi eleito presidente justamente para contornar, fazer acertos, conchavos e negociatas, inclusive e principalmente pôr panos quentes nas investigações das irregularidades denunciadas, nas quais estariam envolvidos alguns parentes.
O homem entende de senado como ninguém, pois já chegou a nomear quase quarenta pessoas para “trabalhar” lá, o que lhe torna mais fácil fazer e acontecer...
Como disse outro dia humilde conhecido na boleia do caminhão, depois de ver e ouvir as “coisas” acontecidas em Brasília: “Por que o “véio senadô” não emprega gente nas “firma” dele, né?”
Chega a dar inveja ouvir frase simples e tão rica de um semblante tranqüilo que estampa alegria, longe de estar indignado com a apuração dos fatos irregulares supostamente praticados pelo senador ou por sua gente.
Para aproveitar o recesso do senado poderia ser providenciada uma verdadeira faxina, inclusive como preventivo da gripe suína. Se o bichinho conseguir atacar alguns, não seria sentida a falta deles, abrindo-se vaga para o suplente imediato...
Talvez com a colocação de algum inseticida se acabe somente com os voadores, aqueles que gostam de negociar suas passagens aéreas em troca de quiabo. Já com os roedores o veneno deverá ser bem mais forte, uma vez que são eles muito resistentes e acostumados a roubar o queijo dos outros, enquanto que os rasteiros, sempre pagam na mesma moeda, tomando rasteiras e pisadas com mais facilidade, são iniciantes na prática e terão muito que aprender.
Isso também impediria que certos senadores e seus asseclas, assistentes, parentes, amigos, cupinchas, noivos, noivas, amantes, futuros amigos ou comparsas sentissem melhor os fortes odores no ar e ficassem prevenidos.
Tabuletas com os dizeres “Cuidado-dedetização recente” seriam providenciadas para beneficiar principalmente os voadores e os acostumados ao ar condicionado dos gabinetes, dos carros oficiais e dos aviões de graça, para não pensarem que o ar local está conspurcado, impedindo-os de dar desculpas de que nesse ambiente não podem “trabalhar”.
Na entrada, os senadores seriam advertidos para tomarem cuidado com os atos que irão praticar, para nunca, em nenhuma hipótese, pensarem sequer em “atos secretos”, mas só nos atos públicos, divulgados, e até solenes, estando impedidos de deixá-los fora do alcance do público, não podendo, inclusive ficar trancados em gavetas ou cofres, sob pena de pagarem do bolso o dano causado.
O senador tem de assumir que está lá para cumprir o mandato outorgado pelo eleitor e nada mais. Para deixar o senador atento às tarefas do cargo, colocar-se-ia placa enorme onde os frequentadores pudessem vislumbrar a seguinte frase garrafa: “Casa limpa e de respeito ao eleitor”, obviamente depois da faxina...
Se a limpeza não for logo feita, alguns de seus integrantes, supostamente envolvidos nas irregularidades, poderão cair no esquecimento, como foi o caso de Renan que pulou fora quando o caldo da amante engrossou. Como raposa velha esperou o tempo certo para dar o bote e voltar para ditar as cartas, novamente.
Num primeiro lance da crise, o atual presidente se igualou ao seu grande e hoje aliado, o presidente da República, quando disse também que não sabia dos “atos secretos”, nem da “ajuda de custa de moradia”, todos os meses creditada na sua conta-corrente bancária. Depois de nervoso e melhor refletindo, num discurso enrolado, confuso determinou providência, obra de difícil consecução, porquanto os “atos secretos” somam mais de seiscentos (!) e foram engendrados por seus cupinchas, apadrinhados, subalternos e outros. Quanto à ajuda aluguel, disse que nunca conferiu e que a devolveria...
Só que as denúncias de irregularidades envolvendo o senador, seus camaradas, amigos, familiares, inclusive dois netos e a neta que tinha um namoradinho, apadrinhados, mordomo, motorista, a fundação, empresas privadas e públicas etc. não param por aí, pois a cada dia que passa surge mais uma, para maior desgaste de sua imagem junto à opinião pública.
O velho senador, entretanto, está irredutível como um cão que não quer largar o osso. Não pensa em se licenciar, muito menos em renunciar, apesar das diversas recomendações de opositores e até de alguns aliados. O senador parece viver num mato sem cachorro, a ponto de proclamar que o recesso lhe dará tempo para pensar.
Muitos situacionistas têm paúra da CPI da Petrobrás, e uma forma de impedir seu andamento é manter o atual presidente do senado, sem o qual a aliança PT/PMDB corre risco de ser rompida, como não quer o chefe de governo, já antevendo as eleições de 2010, assunto delicado que exige atenção especial para quem quer eternizar-se no poder.
Empolgado com sua posição impar e inigualável de político antigo, de donatário de vasta riqueza no seu estado natal, dono da bola em muitas fazendas, empresas privadas, canais de comunicação de rádio e TV, fundação, metido a escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, o velho senador preferiu se insurgir contra conhecido jornal paulista que segundo ele teria iniciado uma campanha contra sua pessoa, obrigando outros jornais e a televisão a repercuti-la. Lembrando Sêneca, declarou que este filósofo grego recomenda combater as grandes injustiças com o silêncio, a paciência e o tempo. E é isso que parece estar fazendo e vai continuar...
Só que o velho político deu uma desculpa esfarrapada que não convence ninguém. Suas palavras revelam isto sim, apenas o sentimento e o comportamento dele na condução da crise do senado.
Deveria o senador conferir melhor o pensamento de Sêneca, o pai do estoicismo, mas não deve ter a pretensão de segui-lo por que seus familiares, principalmente, não vão gostar. Sêneca, pretor até 50 d.C. de Nero, foi por este acusado de ter ligações com um complô para assassiná-lo. Pediu a Sêneca para se suicidar, no que foi prontamente atendido. Sêneca era um homem muito rico e poderia ter ido viver bem longe de Roma tranquilamente, mas resignado preferiu atender ao imperador e pôs termo à vida. Por isso é que o estóico não luta contra seu destino e acolhe conformado o que vai acontecer, o que só pode levar à felicidade.
Se o velho senador investigado seguir Sêneca à risca, não se saberá se a faxina do Senado ocorrerá ou não.
Primeiro por que Sêneca recomenda “sempre desejar a mesma coisa, sempre recusar a mesma coisa”, o que significa ter a coragem de ser coerente consigo mesmo.
E isso o velho senador há quase sessenta anos (!) na política já o demonstrou sobejamente, inclusive dizendo que quer o “puder” e não consegue ficar longe dele...
Pena que só esteja seguindo a parte menor, a da coerência, da filosofia do estoicismo. Que pena!
A parte não boa, aquela que é só pra cabra da peste, certamente está fora de cogitação, porquanto além da idade avançada, seu imperador, aliado, defensor, fiador, o chefe de governo jamais irá lhe pedir que se mate... Quer dizer, pedir até pode, mas o senador já mostrou que prefere sombra e água fresca, como lhe recomenda o filósofo grego.
Seria preferível tocar de volta para seu torrão natal, retirar-se da vida pública, ficar bem longe de Brasília e estaria cumprida plenamente a orientação de Sêneca que tanto gosta: aguardar em silêncio, com paciência o tempo chegar...
O senador não tocou, ao menos de leve, na esperada faxina, nem apontou quais tipos de inseticidas, raticidas ou outros ingredientes seriam utilizados. Nem poderia ser diferente, basta conferir seu choramingo: “Não fui pra presidência da casa para cuidar da limpeza da cozinha...!”.
Para corroborar o panorama vergonhoso que grassa há tempos no Senado, de se acrescentar recente fala estranha e indigna de outro senador velho, do Rio de Janeiro, que não teve nenhum voto para se eleger, pois suplente do suplente, que apareceu para atiçar o fogo.
Trata-se de um tal de Duque, sem eira nem beira apesar de o nome se referir a um título da nobreza, escolhido como “o mais confiável” para a presidência do conselho de ética do senado, órgão encarregado de zelar pelo comportamento moral exemplar dos senadores.
Duque disse, sem rodeios, que os “atos secretos são besteiras, não têm importância” ! Está se lixando para a opinião pública e uma vez que com 81 anos de idade, não tem mais nenhum projeto, fulminou.
Ainda bem!
O cara já devia estar de pijama brincando com os bisnetos...
Duque proclamou que confia na “falta de memória da população” e que o país sempre viveu a política do clientelismo, onde empregos e favores sempre foram trocados por votos. Deve ser por isso que emprega um funcionário fantasma, que ganha cinco mil pratas por mês e lá não aparece, como informa “O Estado de S. Paulo”.
O senador velho do Rio de Janeiro faz realmente jus ao nome, pois dá mostras pela conduta pouco ortodoxa que está vivendo ainda a era do império, do absolutismo, onde o soberano e seus súditos praticavam cambalachos e ficavam eternamente impunes.
Tem Duque na pessoa do presidente do Senado, seu verdadeiro príncipe a quem prometeu irrestrito apoio, submissão ilimitada e inocência completa nos episódios incriminadores. Como na Idade Média, a história é revivida por Duque ao observar a hierarquia da época, segundo a qual o duque (ele) está acima dos marqueses (seus pares) e abaixo só do príncipe.
Lamentavelmente, mais esta nefasta ação do presidente da comissão de ética do senado prestes a se desencadear, fará parte da triste história política brasileira, já que políticos nunca são cassados ou condenados. Costumam renunciar, para depois voltar.
Apesar de a oposição já ter pedido a instauração de CPI para apurar as muitas irregularidades verificadas no senado, inclusive clamando pela cassação dos direitos políticos do seu presidente por quebra de decoro, Duque já disse que vai arquivar sumariamente todas as investigações sem prestar contas a ninguém, o que revela a esperada, a conhecida qualidade e o espírito da maioria dos políticos.
Causa grande indignação que um indivíduo de tanta idade, mas jejuno para presidir órgão de ética, de cara saia proclamando a absolvição do pecador, como um seminarista despreparado para servir. Quando da investidura do senador do Rio, tudo já estava adrede combinado!
Os dois presidentes, do senado e da comissão de ética, já em idade senil, há anos deveriam ter sido aposentados compulsoriamente, como acontece com todo servidor que chega aos setenta anos, como prevê a Constituição Federal.
Sem eles o país estaria andando melhor, pois são mais dois responsáveis diretos pelo trancamento da pauta do congresso e pelo recesso sem faxina, que para ambos veio em boa hora a fim de postergar suas penitências.
Seria menos constrangedor aos homens de bem, deixarem de ver longevos senadores, deputados e vereadores, mijando fora do penico e até no sapato...
Para o bem da nação todos assim qualificados poderiam deixar o cargo para serem substituídos por mentes mais ágeis, ideias e vassouras novas.
Destarte, não seria preciso ouvir mais uma das muitas baboseiras do senador que acaba de ir para o conselho de ética: “o que está acontecendo hoje no senado acontece desde Pero Vaz de Caminha...”.
Por essas e outras razões, mesmo que a faxina fosse feita, aniquilando-se além dos ratos, insetos voadores, rasteiros e até as pulgas, isso seria um paliativo muito caro para mudar um senado amorfo, cheio de defeitos e vícios.
O caro leitor certamente já se convenceu de que será feita apenas uma varredura comum, só do pó superficial, mesmo assim pra debaixo do tapete? |