Nesse início do ano 2010, o país está quase parado pelo menos no que diz respeito à administração pública.
Todo mundo foi pra praia. S. Excia. e mais de vinte de seus ministros também merecem descansar, afinal de contas ninguém é de ferro.
Batente mesmo só depois da semana santa, naturalmente para apenas os funcionários subalternos que carregam o piano a fim de que seus chefes fiquem na sombra e água fresca, fazendo política e bolando maracutaias.
O chefe de governo, depois de desfilar na orla marítima com uma caixa de isopor na cabeça, provavelmente não com caranguejos, nem mariscos, está voltando de "férias merecidas"...
Vejam que durante a gestão do "sapo barbudo", atualmente mais conhecido como o "cara", ele fez 102 viagens pelo planeta e outras 283 pelo continente nacional. Notem bem, no "avião da alegria" novinho em folha, sempre carregando a vasta camarilha de puxa-sacos.
E olha que essa patota toda passa muito bem: viaja de graça, não paga nada, vai para os melhores hoteis, restaurantes, passeios, assiste aos famosos teatros, shows, e ainda recebe diárias em moeda estrangeira, tudo por conta do pobre tesouro nacional, com uma dívida pública hoje superior a 2 trilhões de reais.
Essa mesma tropa também consome aqui do bom e do melhor. Editais da presidência informam que, para 2010, pretende engolir, numa dieta rica de colesterol, nada menos de uma tonelada de frios em geral, pães de queijo, yogurtes, cachorros-quentes, polpa de frutas, mais 2,5 toneladas de laranja, 399 quilos de bananas, e outras frutas, além de garrafas d'água mineral que dariam para encher uma piscina oficial, tudo isso apenas para as copas do cara e do vice, sem falar nos eventos objetos de outras concorrências, como as festinhas regadas naturalmente a bebidas espirituosas, nacionais e estrangeiras de preferência, banquetes, churrascos, coqueteis, bufês de aniversários até de cachorro, como se costuma comemorar no nordeste...
Não constam do cardápio sobremesa de geleia de mocotó, nem o mais apreciado prato dos paus-de-arara: a buchada de bode.
Pelo tempo decorrido desde a investidura, o cara ficou perto de 1000 (mil !) dias fora do planalto. Mais de 80% dos dias de mandato o cara esteve ausente do gabinete da presidência.
Durante 2010, ele ficará fora da área mais ainda. Tratando-se de ano eleitoral, o cara fará, além das previstas dezenas de viagens de turismo ao exterior, inúmeras viagens internas para acompanhar sua candidata, a "coroa guerrilheira". Nada o demoverá da ideia fixa de não poder trepar num palanque para ficar pedindo voto, explorando seu lema ("governo para os pobres") e dizendo aquelas baboseiras, que todos se cansaram de ouvir: "nunca em tempo algum neste país...".
Talvez pela ausência quase constante do posto de comando, sempre que o cara é perguntado a respeito de algum assunto diz que não sabe de nada ou que vai examinar de novo, mesmo que tenha assinado antes sem ler, algum documento, MP ou ato.
Prova disso acaba de ser constatada com a assinatura que o cara firmou num decreto sem vergonha, o de nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, que trata de "direitos humanos". Essa atitude do cara, como sempre, pôs em conflito vários de seus ministros uns contra os outros, a ponto de o cara exigir o fim do bate-boca aos envolvidos, para que a crise instalada não se alastre.
Mais um episódio ridículo, não é a primeira vez que acontece. A história se encarregará de narrar muitos maus exemplos de bate-bocas entre ministros, obrigando o cara a correr, como bombeiro, para apagar o fogo, aparar as arestas, pedir desculpas pelos enganos.
Isso revela a maior falta de sabedoria, de tática de como governar, de como evitar desgastes desnecessários, muitos deles com mais custos para serem suportados, sem falar na perda de tempo com retrabalho.
O decreto assinado, mas que será revisto conforme promessa do cara, vem causando muita celeuma, a ponto de ministro colocar o cargo à disposição, enquanto outro faz a mesma coisa.
O decreto fala em "comissão da memória e da verdade" (sic), mas, contrariamente à boa técnica de elaboração das leis, cuida também de inúmeros outros assuntos, que não guardam nenhuma relação entre si: prostituição, aborto, propriedade, revogação de leis, símbolos religiosos e outras idiossincrasias.
O grande problema é que o famigerado decreto foi tratado pelo bando que cerca o cara, de ex-militantes comunistas contrários ao regime militar de 1964, presos ou refugiados, que estão a pressionar o governo pois querem matar a Lei da Anistia, instrumento hábil e válido para a abertura e ressurgimento da democracia.
No senado, Demóstenes Torres, presidente da comissão de constituição e justiça, foi bastante incisivo ao criticar o decreto: querem a cubanização do Brasil e o seu autor (secretário Paulo Vannuchi) é um psicopata ideológico.
Realmente, um sujeito que propõe uma "Comissão da Verdade" para apurar tortura nos anos de chumbo assemelha-se à goiaba na beira da estrada: tá bichada ou tem marimbondo no pé...
A oposição tem suas razões quando afirma que os adeptos do decreto só querem a condenação dos criminosos então no poder revolucionário, entretanto não querem que se condene também aqueles que se insurgiram contra o regime, praticando crimes de morte, igualmente.
Se o decreto estabelecer a volta no tempo para condenar, como ficarão os crimes praticados pelo Estado Novo, pela ditadura getulista, pelos presidentes que passaram depois da proclamação da república?
A revolução praticou uma série de barbaridades reprocháveis, a grande maioria delas já reparadas com polpudas indenizações recebidas pelos parentes dos perseguidos, presos, desaparecidos e mortos. Estes como participantes de agressões e hostilidades ao regime militar vigente deveriam, ao contrário, respeitar as instituições nacionais. "Ame ou deixe o Brasil" foi até símbolo do chamado milagre.
Para assaltar bancos, usar explosivos destruindo bens e vidas inocentes, sequestrar embaixadores, matar soldados como meros alvos para aprumar a pontaria por alta recreação, são crimes hoje tidos como hediondos, só que alguns de seus praticantes estão aí fazendo parte desse (des)governo pífio e ainda querem cantar de galo.
A Lei de Anistia serviu a seus propósitos. Querer tripudiá-la vem configurar um patente revanchismo inconcebível e odioso. Há coisas mais importantes para cuidar: saúde, segurança, pobreza, desemprego, educação, corrupção, impunidade, reforma política etc.
Com esse decreto sem vergonha que aí está, o Brasil viverá o macartismo às avessas. Enquanto na América, nos anos 50, foram perseguidos os comunistas ou simpatizantes, aqui, os ex-comunistas, que continuam com ideias vermelhas apesar de a doutrina ter sido extinta, coerentemente com a cor do partido ao qual se filiaram, querem perseguir justamente aqueles que não eram, nem nunca foram comunistas, mas que imprimiram uma revolução justamente para combater o comunismo e a baderna instalada.
Bem ou mal, repita-se, os militares também cometeram certos desatinos, próprios de um regime de força. Só que imprimiram uma legislação fantástica e fértil simplesmente em virtude de terem dado à uma plêiade de juristas de reconhecida bagagem o encargo da sua elaboração. A reforma bancária, a criação do mercado de capitais, banco central, conselho monetário, a alienação fiduciária de veículos que popularizou sua aquisição, o BNH e tantas outras leis estão aí a surtir seus benéficos efeitos.
Hoje, contrariamente, os encarregados das leis são não só despreparados, como comprometidos com a política baixa e corrupta do partido ao qual pertencem, não estando naturalmente preocupados com o que é bom para o país. Os legislativos além da incapacidade técnica de seus membros, estes estão mais preocupados com "quanto eu levo nessa...". Sabedores de que são intocáveis, ninguém será chamado a prestar contas. Mesmo o deputado do DF pego em flagrante pondo dinheiro de propina no bolso, na meia, na cueca, tem o desplante, a desfaçatez, a cara de pau de voltar à câmara legislativa que preside, deixá-la às escuras e dizer aos quatro cantos: aqui quem manda sou eu e nada vai acontecer !
Só se consegue suportar tais absurdos adoçando a boca, de preferência com geleia de mocotó feita segundo receita da Da. Alzira, minha vizinha na infância.
Se o cara escafeder-se o mais rápido possível do horizonte perdido desse partideco cheio de homens bizarros, tomados pelo ódio e arrogância, talvez possa lhe mandar, via sedex, um pacotinho da amostra da geleia da Da. Alzira.
Quem sabe esse docinho sirva para abrandar seus discursos de palavras sempre ásperas e minimizar a vermelhidão do rosto barbado.
Quando terminar esse governo doador de esmolas e caso não veja mais pela frente essa turminha aproveitadora e insaciável que mama graciosamente na popularidade do cara, eis que individualmente eles são bizonhos naquilo que fizeram ou fazem isoladamente, farei o mesmo esforço.
Já quanto a buchada de bode, confesso não ter nenhuma simpatia pelo cheiro desse mamífero. Prefiro apreciar a dobradinha de casa, com azeitonas verdes, rodelas de linguiça calabreza, acompanhada de polenta cortada em pedaços e arroz soltinho. Antes, naturalmente, uma caipirosca de maracujá...
---Cara, não vá ter indigestão com toda essa comida que mandou comprar para fazer a corte!
|